Oi pessoal! Hoje eu vim compartilhar com vocês minha primeira one shot. Nunca fiz uma one shot na vida (dããã), então me perdoem se essa ficar ruim. Dica:Leia ouvindo Say Something - Christina Aguilera and A Great Big World.
A Garota que desperdiçou sua vida
Pude ouvir os gritos de desespero no corredor do hospital. Um choro alto o suficiente para ser ouvido por todo o hospital. Fechei os olhos e rezei baixinho. Minha vez estava chegando. A vez de morrer. Comecei a chorar baixinho, com medo de que os médicos me ouvissem.O que meus pais pensariam se soubessem que eu estou chorando por ter medo da morte? Eles me acham uma guerreira.
Eu queria ser essa garota. Essa guerreira que eles tanto se orgulham. Essa guerreira que não merecia a morte, mas eu não era essa mulher. Eu merecia morrer.Eu merecia me perder e nunca mais ser achada.
Abri os olhos e vi dois médicos chegando Eles olharam para mim e sorriram. Retribuí. Não porque me sentia melhor, mas porque era força de hábito. Fingir que está tudo bem para não ferir ninguém. Como uma rosa, minha irmã diria. E eu realmente era uma rosa. Cheia de espinhos, e mesmo sem querer, machucava as pessoas à minha volta.
-Srta. Willow, você tem visitas.
Concordei com a cabeça. Visitas também eram raras. Uma garota da minha idade, 11 anos, entrou na sala. O cabelo era dourado como o sol e os olhos azuis como o mar. Ela não parecia feliz. A mãe dela estava ao seu lado e sorriu para mim, depois saiu. A garota se sentou perto de mim, mas hesitou muito, com medo que o câncer fosse contagioso.
-Sou Willow. - disse, tentando puxar conversa.
-Clarisse.
-Então Clarisse, por que está aqui?
Ela deu de ombros e olhou para baixo.
-Minha mãe me obrigou a vir. Queria me mostrar como existem pessoas piores que eu. - ela disse, com certo desprezo na voz.
-Quer dizer, pessoas condenadas à morte? - Aquilo estava ficando desconfortável.
-Ela disse que são pessoas inocentes cujo à vida foi tomada. Tenho pena de você.
Fechei o punho, com raiva por ela me tratar mal.
-Quer dizer, olhe para você e para mim! Sou loira de olhos azuis. Linda, magra, perfeita. Enquanto você está deitada nessa cama, careca, toda desgastada, esperando a morte.
-Porque aceito a realidade. -sussurro. - E o que você faz da vida?
-Jogo videogame, computador, converso com meus amigos online, vejo TV, sabe?
Arregalei os olhos.
-Só isso?
-Também vou à escola, mas não gosto
-Mas você não aproveita a vida que tem? Quer dizer, não vai ao cinema com seus amigos? Não faz esporte? Só fica online?
-Exatamente! Minha vida é ótima.
-Não é não! É terrível ver essas coisas, sabe?
Ela parecia mais curiosa.
-Que coisa?
-Eu e muitas outras crianças estamos lutando contra o câncer, tentando sobreviver, enquanto você que tem uma saúde de ferro, se viciam nessas coisas estúpidas. Se eu pudesse sair desse hospital e ter uma vida normal, estaria brincando em um jardim ou brincando com minhas amigas.
Clarisse riu de mim.
-Isso é coisa para crianças!
-E quantos anos você acha que tem? 16? Você só tem 11! Aproveita a sua vida e sai desse vício estúpido.
-Mas o que eu vou fazer?
-Leia um livro. Aumenta seu conhecimento e é muito divertido. Faça esportes, te deixa em forma e é legal. Saia com os amigos!
Mas Clarisse é cabeça dura e não se conformou.
-Não é verdade. O mundo é muito bom no computador.
-Viva a vida real. Aposto que todas as crianças com câncer dariam de tudo para poderem sair com os amigos, ou frequentar uma escola.
-Acho que você tem razão. Quero dizer, meus amigos não estão na tela do computador.
-Ainda bem que entendeu. Não é tarde demais, aproveite a vida!
-Ok.
A garota se levantou e caminhou até a porta, mas depois voltou até minha cama.
-Minha mãe mandou eu te dar uma rosa. Obrigada por tudo.
Peguei a rosa e a girei lentamente, vendo seus espinhos.
-Sabe, você me falou coisas tão boas! Também tenho uma para você: Essa rosa é para te lembrar que as rosas têm espinhos por serem belas, para se protegerem da dor. As flores mais belas são as que têm mais espinhos. Nunca perca a esperança.
Então Clarisse foi embora. Dei um sorriso, pois sabia que ela voltaria.
1 semana depois.
Clarisse.
Peguei meu jeans e minha blusa. Desci às escadas correndo e vi o buquê de rosa em cima da mesa. Hoje seria o dia de visita. Eu iria visitar Willow. Nós tínhamos nos visto ontem de novo, mas eu precisava vê-la. Minha mãe estava me esperando no andar de baixo.
-Filha, deixe a rosa aí. Não vamos mais.
Eu olhei para ela.
-Mas mãe, você disse que tinha adorado a Willow!
-Eu sei querida, eu sei.
-Então me leva para vê-la, mamãe.
Minha mãe fez uma cara triste e me olhou.
-Você não vai querer vê-la, querida.
-Por quê?
-Willow... Bem, ela teve que enfrentar uma cirurgia... - mas eu a cortei.
-Então devemos vê-la! Ela precisa de mim.
-Me deixe terminar. Ela teve que enfrentar uma cirurgia. Os médicos disseram que ela resistiu bem, mas quando a mãe dela entrou no quarto, a filha estava pálida. Mais pálida que o normal.
-E o que tem?
Tentei entender a situação. Ela tinha visto um fantasma?
-Querida, Willow faleceu essa manhã. Ela não resistiu mais.
Olhei para minha mãe e deixei o buquê cair. Era mentira.
-Me leve para vê-la. - disse, convencida que Willow estaria me esperando para contar uma história.
Ela suspirou, mas assentiu. Chegamos no hospital rapidinho. Segurei meu buquê com força e dei meu melhor sorriso. Willow odiava me ver triste.
Entramos. Assim que entramos, pude ver somente a manta cobrindo o corpo. Segurei a manta com as mãos trêmulas e a puxei. Assim que deixou de cobrir o corpo inteiro, desabei no chão. Willow estava com os olhos fechados, muito pálida mesmo. Minha mãe me abraçou e chorou comigo.
A garota com câncer que eu humilhei, mostrou o quanto a vida é boa. Me mostrou que eu estava jogando tudo fora. Agora ela estava morta.
-Não se preocupe, querida. - minha mãe falou. - ela foi para um lugar melhor.
Fechei os olhos e gritei.
-Por que tem que doer tanto? Por que dói? - gritei.
-Porque você a amava, como uma irmã ama a outra.
E doía. Doía muito. Eu tinha planejado tudo. Tudo o que faríamos ao sair do hospital. Tudo o que faríamos quando ela ficasse melhor. Mas tudo isso se perdeu.
Chorei e gritei por muito tempo. Quando me acalmei, olhei de novo para o corpo. As duas únicas coisas que me impediam de chorar mais, eram uma rosa e um sorriso. Willow sorria, como se estivesse satisfeita com o que fez. Satisfeita com a vida que teve.
A rosa que lhe dei estava em suas mãos, como uma despedida. Era horrível vê-la daquele jeito. Uma carta estava junto à rosa. Era para mim. Peguei ela, mas não a abri. Não tive coragem, e nunca teria.
Carta:
Querida Clarisse, ou Clary;
Sei a pergunta que deve estar fazendo à sí mesma: por que dói tanto?
Me fiz a mesma pergunta várias vezes, até te conhecer. Você me explicou tudo: As flores mais belas têm mais espinhos. Eu fiz o que nunca quis ter feito: Te fiz sangrar com meu espinho. Causei-lhe dor. Mas é por isso que vivemos: Para superar a dor e seguir em frente. Você tinha razão, eu estava esperando a morte. Mas pelo menos estava resistindo por todos nós.
Na última visita, você me disse que achava que a dor era o que nos tornava humano, mas não é. O que nos torna humano é o amor, que causa dor, que causa raiva, que causa esperança.
Eu sou a rosa do seu jardim, e acabei de murchar e morrer. Não se preocupe, você poderá plantar outra rosa, mas espero ter sido especial para você. Espero ter sido a rosa mais bela e mais perigosa, mas a que mais causava amor. Por isso tive que ir. Para me aceitar.
Não estou dizendo que queria estar morta. Não queria. Me desculpe por deixá-la para trás, por ter quebrado nossa promessa.
Com amor, Willow.
FIM
Gostaram? Comentem e divulguem, por favor!
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